quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Jogando para a torcida!


Jogando para a torcida!

Rodrigo Romeiro

Saudações Caros Butequeiros Rubro-Negros. Depois de uma semana ausente, estou de volta, firme e forte. O papo de hoje é “brabo”, pois infelizmente o título da coluna não se refere ao futebol apresentado pelo Flamengo. Nosso time não joga para a torcida, pelo menos desde que o Luxemburgo assumiu o comando técnico. O time do Luxemburgo joga para satisfazer o seu ego, para sustentar suas teimosias e para tentar, incessantemente, provar que ele é um gênio incompreendido.

As apostas do treinador não têm dado certo e o máximo que ele tem conseguido é nos irritar profundamente. O time não convence, em 90% das partidas apresenta um futebol medíocre, e tem sido marcado por algo que não faz jus às tradições rubro-negras: a covardia. Com toda a pompa do treinador, com todo o investimento que foi feito, com toda a tradição do Flamengo e com a disponibilidade de recursos que o clube tinha para esse ano, esperávamos muito mais.

Porém, Caros Butequeiros, a Presidenta do clube, desde que assumiu seu posto, tem adotado como atitude primordial jogar para a torcida. A expressão “jogar para a torcida” é uma figura de linguagem usada para definir a atitude de figuras públicas que dizem, ou fazem, coisas só para agradar a platéia e que se caracterizam por total descompromisso com o conteúdo do que dizem ou fazem. Geralmente, falam muito mais do que fazem e só falam aquilo que a platéia quer ouvir.

Quem não acompanha o Flamengo apenas de forma superficial, consegue, com facilidade, perceber que o clube continua desorganizado, endividado, sem comando, sem estrutura, com alguns dos seus poderes aparelhados e necessitando de um comando forte, que seja capaz de liderar o clube rumo às profundas mudanças pelas quais precisa passar. O governo da Presidenta do Flamengo não apresentou políticas efetivas que demonstrem compromisso com a reestruturação do clube, com a sua profissionalização, com o saneamento das suas finanças etc.

É profundamente irritante ver a Presidenta, diante de sucessivos fracassos futebolísticos, de infindáveis crises políticas, financeiras e administrativas, abraçando maquete de CT para foto de capa de portal esportivo; apagando velinhas no aniversário do clube; entregando camisa para o presidente dos EUA; posando de vítima quando sua administração é criticada; ou seja, tentando cavar todo e qualquer espaço que lhe garanta um pouco de holofote e que contribua para construir a sua imagem de figura pública séria, dedicada e detentora de uma promissora carreira política.

A Presidenta vive na imprensa, com um largo sorriso, proferindo frases feitas, irradiando uma simpatia artificial, apresentando uma postura de que no Flamengo tudo está um mar de rosas. Ou seja, vive jogando para a torcida, enquanto estamos cansados de saber que o Flamengo não mudou quase nada, inclusive aparenta ter aprofundado alguns dos seus problemas. A verdadeira imagem que a Presidenta passa, para quem se preocupa com os rumos do Flamengo, é a de que tem coisas muito mais importantes para se preocupar, como a construção da sua imagem, do que com as questões do Flamengo.

Só para ilustrar como há muita coisa para ser resolvida no Flamengo, recentemente, foi publicada, no flamengonet, um dos mais importantes blogs flamenguistas, uma mensagem escrita pelo José Carlos Dias, figura que não conheço, mas que escreveu uma mensagem franca a corajosa, que, dentre outros cargos, foi Vice Presidente de Finanças, Administração, Patrimônio, Planejamento, Informática e Esportes Olímpicos na gestão Márcio Braga, em resposta a um dos membros da atual gestão, na qual aponta muitos questionamentos e denúncias. A mensagem foi pouco debatida por aqui e em outros fóruns, mas há nela aspectos que precisam ser melhor tratados e esclarecidos pela Presidenta. Inclusive, pretendo, futuramente, escrever uma coluna esmiuçando alguns pontos levantados pelo ex-vice presidente. Pra quem não leu, o link é http://flamengonet.blogspot.com/2011/11/psc-em-resposta-um-e-mail-enviado-por.html e prá quem se interessa por um Flamengo melhor, é leitura obrigatória.

Como se não bastasse assoprar as velinhas perante toda a imprensa carioca, depois de nos despedirmos de forma melancólica da disputa pelo título do Brasileiro, a Presidenta resolveu, nessa semana, jogar mais uma vez para a torcida. Deu indícios de que, diante de um fracasso retumbante (não classificação à Libertadores) no campeonato brasileiro, entregará a cabeça do Luxemburgo numa bandeja para a torcida. Claro que como uma forma de tirar sua responsabilidade pelo fracasso.

Nós, torcedores, receberemos a cabeça do Luxemburgo de bom grado, pois muitos de nós há tempos vínhamos questionando o trabalho do treinador. Aliás, pra ser mais preciso, alguns, na verdade, questionaram a própria contratação do polêmico treinador.

O que incomoda, é verificar que o Luxemburgo só fez tudo que fez, porque a Presidenta permitiu e deu poderes a ele para que fizesse. Pelo histórico do Luxemburgo, qualquer gestor minimamente preocupado com o seu negócio, se assumisse o risco de contratá-lo, jamais lhe daria plenos poderes e, no mínimo, acompanharia de perto todos os seus passos. Muito ao contrário disso, a Presidenta do Flamengo entregou o futebol ao Luxemburgo e foi se dedicar a sua prioridade: construir a sua imagem. O Luxemburgo só fez o que sempre faz, e a culpa por um possível fracasso retumbante, não poderá ser de outra pessoa, a não ser de quem o contratou. Uma hora a máscara cai e só jogar pra torcida não sustenta ninguém por muito tempo.

PS1. O Parabéns prá você do Flamengo: ó Meu Mengão, eu gosto de você, quero cantar ao mundo inteiro, a alegria de ser rubro-negro, conte comigo Mengão, acima de tudo Rubro-negro; 116 anos do mais sublime estado de espírito, obrigado por existir Flamengo.

PS2: Sobre o jogo de hoje, só uma coisa a dizer: dificílimo!