sexta-feira, 23 de abril de 2010

Em dia de São Jorge, vai dar São Judas Tadeu


Amigos do Buteco, hoje é dia de São Jorge, e nem adianta falar de decisões administrativas, ou sobre quem serão os novos comandantes do futebol rubronegro. Na hora em que escrevo este texto, leio que “a decisão sai hoje”. E os comentários durante o dia com certeza serão sobre isso, não importa o tema abordado aqui.

Assim, eu quero falar mesmo é sobre o time e sobre a nossa perspectiva no confronto com o time do Mano. A minha memória rubronegra me lembra que é nos momentos mais difíceis que o Mengão se supera, e a sua mística entra em campo, vencendo favoritos e arrancando aplausos onde antes se ouviam vaias. É isso que espero destes dois jogos. Se formos analisar o momento dos clubes, enquanto o time paulista teve tranquilidade até aqui para treinar e jogar, nós estamos em uma sequencia de intranquilidade que fica difícil até de lembrar o começo. Enquanto o técnico adversário fala de confronto tático, nós nem temos certeza de como será escalado o time que vai entrar em campo na quarta. A única certeza que temos, como bem lembrou nosso companheiro Gustavo, é que segundo o artigo 10.6 da competição, ao final da segunda fase podemos incluir 3 novos jogadores.

Para piorar as coisas, corremos o risco de perder no confronto das torcidas. Parece incrível ? Mas é um fato. Desde que o Corínthians ganhou a Copa do Brasil no ano passado que a torcida só tem olhos para a Libertadores. Eles abriram mão do campeonato brasileiro do ano passado, abriram mão do estadual deste ano, e em qualquer roda de torcedores deles, o único assunto é a competição sul americana. É claro que eles adorariam ter ganho este dois campeonatos “intermediários”. Mas, ao contrário da nossa torcida, que se dividiu entre competir de verdade ou não no estadual carioca, aqui em São Paulo os torcedores estão tranquilíssimos com a desclassificação antecipada para as finais do estadual. Por outro lado, ninguém sabe o que pode acontecer (em termos de protestos e confusões) se o Mengão tirar o time paulista da Libertadores. A gana por este campeonato aqui é tão grande que poderia ser comparada com o “complexo de vira lata” que se dizia que o Brasil tinha até começar a ganhar os campeonatos mundiais. O fato é que pouca gente, tirando os torcedores do próprio clube, dá valor à tal Copa Dan`up que o tornaria campeão mundial sem ser campeão continental. Assim, Libertadores é tudo para eles neste momento, e a torcida vai pagar mais caro, mas vai comparecer.

Pois é nesta hora que se agiganta o Flamengo. É quando as coisas estão difíceis e beirando o impossível que as 40 milhões de consciências rubronegras começam a agir na dimensão esotérica do mundo do futebol. Os que não vinham jogando bem se tornam protagonistas, os carregadores de piano passam a tocar violino, e uma enorme comoção toma conta até dos torcedores do arco íris. Tenho muita esperança de que a torcida, no Maracanã, vai comparecer e fazer sua parte, incentivando o time. Nestes dois jogos eu não quero nem me lembrar quem é o jogador que está vestindo a camisa rubronegra. Quem estiver ali, como verdadeiro Flamengo que é, honrará o manto e será, em campo, o guerreiro do exército emocional de 40 milhões. Deve ser por isso que erramos tantas finalizações nas últimas partidas : Esgotada a cota possível de erros, a lei das probabilidades há de estar do nosso lado e os gols vão sair. Da falta de preparo de alguns jogadores, sairão heróis do esforço físico e da auto superação.

Ou então, a luz no fim do túnel, ao invés de ser uma esperança de que as coisas clareassem, é só a lanterna de um trem vindo pra cima de nós.

Pra cima deles, Mengão, que você e sua torcida tem luz própria, e São Judas também matará os dragões adversários !