Olá, Buteco!
Semana de pausa para o Mengão e de processamento da ressaca causada pela derrota para o Cruzeiro no sábado.
No domingo, tivemos os lamentos por aquilo que já se anunciava no intervalo da partida, quando o Buteco aplaudiu a boa atuação do Flamengo e lamentou o fato de não termos matado o jogo, na eterna síndrome da baixa contundência de que se queixava o Sampaoli.
De fato, não matamos o jogo e levamos a virada no último minuto, numa repetição do que aconteceu, por exemplo, no 2 a 2 contra o Vasco, empate no último lance, com direito à lei do ex Hugo Moura.
Na segunda, um excelente post do Amigo Gustavo, no qual ele refletiu sobre a concretização de um script previsível e evitável e explorou, com muita propriedade, algumas causas do futebol um tanto disfuncional do Flamengo na gestão Boto e Bap.
Na terça, o Buteco recaiu na amargura, remoendo e reafirmando velhas queixas que, sai gestão, entra gestão, não são resolvidas.
Na quarta, dia em que escrevo este post, nosso Buteco começa a virar a chave e volta a pensar no futuro próximo, com Botafogo no fim de semana e, penso eu que principalmente, com o Del Valle e a altitude no nosso horizonte.
O impacto da virada do Cruzeiro: mais emocional do que matemático
Refletindo sobre a frustração da noite de sábado, reafirmei meu entendimento de que perder fora de casa para o Cruzeiro não seria um escândalo, por se tratar de um dos melhores times do campeonato jogando diante da sua torcida.
Pensei também que a perda evitável foi de apenas um ponto, já que, aos 95 minutos de jogo, a vitória já não estava nos nossos planos e o empate não era um resultado ruim.
Pensemos na hipótese do jogo terminar empatado em 1 a 1.
Provavelmente nossos comentários, nos dias seguintes, seriam na linha de: “podíamos ter ganho, já que deixamos de matar o jogo no primeiro tempo, mas o empate fora de casa contra o Cruzeiro não foi um mau resultado”.
Quando, porém, por um erro bobo nosso aos 95 minutos, a gente perde esse ponto que estava na mão, bate um justíssimo baixo astral, seja pela bobagem do Ayrton Lucas, seja porque vem à tona o adiamento crônico de soluções para os problemas do elenco (Rossi e a lateral esquerda são os temas do momento, mas há também o incrível caso do reserva do Pedro), seja porque Leonardo Jardim teve mais um dia (noite) ruim, seja porque se evidenciou que o time não aguenta competir durante dois tempos de 45 minutos.
Vejam que, no embalo da escrita do parágrafo anterior, sem me aprofundar em pesquisa sobre outras causas, eu listei um monte de problemas cujos efeitos já levaram a várias perdas de pontos que seriam evitáveis.
Temos convivido com isso ao longo do ano, numa escala que parece ser maior do que a aceitável.
Disso resulta uma oscilação de desempenho que nunca nos permite chegar de vez no Palmeiras, líder até agora inalcançável do Brasileirão.
Libertadores é mata-mata, pode ser perdida numa noite infeliz, mas Brasileirão é consistência, ganha quem erra menos, quem comete menos erros evitáveis.
Com a recorrência de erros evitáveis e da perda de pontos irrecuperáveis, inclusive contra adversários em crise, vem a sensação de que não vamos conseguir chegar.
Ainda podemos ganhar o Brasileirão?
Em tese, sim, mas o time reduziu sua margem de erros a níveis muito desafiadores e já ensaia passar a conta para São Judas Tadeu, porque faltam poucas rodadas para o campeonato terminar.
Para não encerrar este capítulo sem um contraponto, trago aqui um comentário do Naga (@anderson_naegele), postado na terça à noite:
“Pessoal tá muito mensageiro do apocalipse. Foi só uma derrota dura, dentro de uma campanha muito boa. Só vencermos o Botafogo no fds e já reanima. Eu não me irritei com o trabalho do Jardim ainda, mas tem alguns alertas ligados com relação a essa postura do time no segundo tempo das partidas. Fora isso, ainda acredito no trabalho.
Oremos!!!
Um pouco de Bap nas reflexões de hoje
Começo com um spoiler: sou muito favorável a um segundo mandato do Presidente Bap, para que tenha tempo de consolidar as promissoras transformações institucionais e de crescimento financeiro do Flamengo que vêm sendo por ele desenvolvidas.
Por tudo que já fez nos primeiros vinte meses de mandato e pelos muitos bons projetos anunciados, tenho motivos para acreditar que, tendo a possibilidade de comandar o Flamengo por seis anos, Bap poderá levar o Flamengo a um patamar de muito poder financeiro e, consequentemente, de grande potencial para o crescimento esportivo do clube, sempre com o futebol como carro-chefe.
Isto posto, reafirmo minhas críticas a ele no campo da gestão do futebol do clube, principalmente pela manutenção do Diretor Técnico José Boto, cuja atuação deixa a desejar em muitos aspectos, dentre os quais a gestão do elenco parece ser um dos mais reprováveis.
Vou revisitar, a partir de agora, alguns trechos da entrevista concedida pelo Presidente Bap em junho passado, ao Charla Podcast, para tentarmos refletir um pouco mais sobre visões dele, sobre o futebol do Flamengo e sobre a participação de José Boto.
Quanto ao crescimento do Flamengo:
As pessoas confundem essa coisa do sonho, do desejo, como se fosse arrogância, soberba. Não é. É propósito.
A forma de tocar o Flamengo é a mesma (falando das ambições esportivas do CR7). A gente mira na Lua e o que vier na rede a gente agradece.
Como dizia Warren Bennis, craque no assunto “Liderança”, o líder cria a visão, comunica a visão e implementa a visão.
No que diz respeito ao crescimento do Flamengo, Bap exerce muito bem seu papel de líder, criando uma visão inspirada no Real Madrid, comunicando a visão em entrevistas e em apresentações semestrais para o Conselho do clube e trabalhando bastante na implementação da visão, por meio de projetos capazes de levar o Flamengo a um patamar muito mais alto do que o atual.
Sem desmerecer o histórico trabalho de Bandeira de Mello e as conquistas de Rodolfo Landim, nenhum Presidente dos blues chegou perto do que pode acontecer se Bap ficar à frente do Flamengo por seis anos.
Quanto à intervenção no futebol:
É claro que a gente erra, mas nunca tive alguma dúvida do que tinha que fazer (demissão do Filipe).
Naquele momento, dos vinte clubes da série A, depois de quatorze ou quinze jogos no ano, o Flamengo era o vigésimo colocado, pior clube da série A em performance no ano.
Ah, mas estávamos no início.
Todos os outros dezenove estavam no início.
Então, a gente vinha de uma trajetória fantástica no ano anterior, com apenas cinco derrotas no ano inteiro. É um número sensacional.
A gente tinha seis derrotas em quarenta dias.
Nem sempre, quando você ganha tudo, tá tudo certo e nem sempre, quando você perde, tá tudo errado.
Eu entendi que era um ajuste necessário, tomamos a decisão que entendíamos que devíamos tomar naquele momento e eu continuo absolutamente seguro das mudanças que nós fizemos.
Aí, tenho minhas queixas e elas são dirigidas, principalmente, à participação do diretor Boto.
Bons gestores não são meros solucionadores de crise, muito pelo contrário.
Bons gestores são, principalmente, líderes que enxergam possíveis crises e agem para evitá-las.
É notório que Bap não era um fã de carteirinha do Filipe, mas, mesmo quando o Flamengo estava disputando tudo em 2025 e ganhando quase tudo, havia um desenho de crise no futebol do Mengão, decorrente, a meu ver, de algumas insuficiências do nosso talentoso treinador e do diretor Boto.
Por erros de todos, Bap, Boto e Filipe, adotamos, na primeira crise de desempenho, a “solução” de sempre: demissão do treinador imperfeito e substituição por outro que tem algumas virtudes que Filipe não havia desenvolvido e alguns defeitos que nosso treinador-revelação não tinha.
O planejamento do futebol
Quando planejamos o ano de 25, não acredito que a gente tenha ido bem na parte de planejamento. A gente podia ter planejado um pouco melhor.
Em vídeo-tape, todo mundo é gênio. É claro que a decisão a posteriori vai ser melhor do que a decisão tomada na hora.
Tenho natureza muito autocrítica, de olhar pra trás e ver onde eu errei, onde eu podia fazer melhor.
Olhando agora, neste momento do ano, a sensação que eu tenho é de que nós estamos muito melhor preparados do que em 25, nesse momento do ano.
Eu vejo (a condição) do elenco, adaptado. Vamos ter, na segunda parte do ano, um elenco que é muito forte e, em teoria, todo mundo bem, todo mundo recuperado.
Nós não tivemos, nos últimos doze meses, os trinta atletas do elenco profissional todos preparados pra jogar e hoje eu tô acreditando que, a partir de 22 de julho, nós vamos, pela primeira vez nos últimos doze meses, ter os trinta jogadores bem e disponíveis.
Isso significa que você vai ganhar tudo? Não, mas do ponto de vista de planejamento, pro que a gente se propõe, é uma vantagem. É um luxo, eu diria.
Aí não, né Presidente?
O Flamengo acabou de perder para o Cruzeiro por não conseguir manter, no segundo tempo, a pegada vencedora do primeiro tempo e isso tem sido recorrente.
Além disso, estamos a duas semanas do fim da janela de transferências e, até agora, o clube apenas patinou e não teve qualquer evolução importante em contratações e vendas (talvez esteja vendendo o Plata enquanto escrevo, talvez esteja comprando o Luiz Henrique, sei lá).
Não vou repetir as muitas críticas feitas ao Diretor Técnico por seu desempenho, mas ele tem transitado num nível indefensável e, apesar disso, continua no cargo, mantido pelo Presidente que, por assim agir, torna-se o principal culpado pelo que acontece de disfuncional no futebol do clube (quando o subordinado erra muito e não é substituído, a culpa passa a ser do chefe).
Transformação do elenco mais à feição do Jardim
Não tem um único dia do Flamengo que a gente não discuta, avalie posições, sucessão, o que vai acontecer em seis meses, um ano. Uma análise por posições. Estamos sempre olhando. Pelo elenco que temos, chegamos em um nível que não queremos um reforço, queremos “o reforço”. Ele tem que estar disponível, o clube tem que querer negociar, ele tem que querer jogar aqui, tem que casar o seu momento com a janela e a intenção dele. Tem uma série de variáveis.
Esta janela do meio do ano é igual a qualquer outra janela da gente. A gente continua querendo o João, o Pedro, o Matias, a gente vê quais são as condições...
Eu entendo que jogar aqui é diferente, um nível de cobrança enorme.
A gente tá trabalhando sempre pra qualificar o elenco, pra não trocar seis por meia dúzia. Esse trabalho acontece sempre.
Esta janela: não vai comprar óculos quando precisa de calças.
Aí também não, né Presidente?
Jardim pediu um meia, um ponta e um centroavante e até agora, passado quase todo o mês de agosto, nada recebeu e parece que vai ter que se virar com o que tinha no começo da janela.
Afora isso, discordando do Jardim e muito do Boto, acho que perdemos tempo precioso tentando comprar óculos (eu não via Almada como uma necessidade tão essencial) e não compramos as calças tão necessárias (lateral esquerdo e centroavante), além de adotarmos como solução muito discutível a extensão dos contratos de veteranos.
Vai que é sua, Bap!!!
Como já disse, acho que o clube pode estar vivendo uma evolução muito positiva em diversas áreas.
O problema é que, quando o futebol não vai bem, a impressão que se tem é de que está tudo ruim, porque não adianta para a torcida que o Flamengo seja top num monte de coisas e vá mal no futebol.
Nesse campo, além da sempre desafiadora gestão interna, Bap precisa trabalhar em questões relevantes nas relações institucionais do clube, seja no futebol brasileiro, seja no futebol sul-americano.
Em tais ambientes, onde às vezes a política pode valer mais do que a norma legal, o Flamengo não goza de grande poder político e o nosso presidente se apresenta como um paladino da legalidade, enfrentando lutas desiguais e necessárias, buscando conquistas que exigem dedicação, resiliência e muita paciência.
Até por isso, considero que Bap erra feio em manter um diretor técnico que, nesses vinte meses à frente do futebol do clube, não melhorou a gestão do que há de mais essencial no Flamengo, o futebol.
A meu ver, nosso presidente está mal assessorado nessa área tão crítica e, embora ainda seja possível reverter o quadro e caminhar para maior desenvolvimento orgânico do futebol do Mengão, não consigo acreditar nisso enquanto ele estiver sob o comando do atual diretor técnico.
A bola está com você, Presidente!
Saudações Rubro-Negras!!!
Carlos Céasr Ribeiro Batista